O turno das 03:17
Histórias Paranormais fantasmas, fenómenos inexplicáveis, Mistérios, paranormalNão gosto de exageros, por isso vou directo: isto aconteceu e nunca encontrei explicação aceitável.
Trabalhei dois anos num hospital antigo, daqueles construídos em pedra grossa, corredores longos e iluminação sempre insuficiente. Fazia turnos noturnos na ala descativada, usada apenas para arquivo e equipamento antigo. À noite, aquele piso ficava oficialmente “vazio”. Oficialmente.
Às 03:17, todas as noites, o sensor de movimento do corredor central disparava. Sempre o mesmo. A manutenção verificou tudo: cabos, sensores, correntes de ar, ratos. Nada. O sistema era novo.
Na terceira semana, decidi não ignorar. Fiquei à espera.
Às 03:16, silêncio absoluto. Às 03:17, ouvi passos. Não eco, não estalo — passos ritmados, lentos, como alguém cansado a arrastar os pés. O sensor acendeu. Fui até ao corredor. Estava vazio, mas o ar estava frio, de um frio localizado, como se tivesse entrado numa câmara frigorífica invisível.
Voltei para o posto. Às 03:18, o telefone interno tocou.
Era impossível. A linha daquele piso estava desligada há anos. Peguei. Só ouvi respiração. Fraca, irregular… e depois uma frase, dita com esforço:
— “Já posso voltar para o quarto?”
Desligou.
Fui verificar os registos antigos. No mesmo corredor, no mesmo piso, havia existido um quarto de isolamento. Um paciente morreu ali nos anos 80, após semanas em coma. Hora do óbito registada: 03:17.
Nunca mais fiquei sozinho nesse turno. Pedi transferência. O sensor continua a disparar. A linha telefónica continua desligada.
E ninguém aceita fazer manutenção naquele corredor depois das três da manhã.
Se isto foi sugestão psicológica, então explica-me porque razão o telefone tocou.
