Relato na Primeira Pessoa
Histórias Paranormais fantasmas, fenómenos inexplicáveis, Mistérios, paranormalO Poltergeist de Enfield
Nunca acreditei em fantasmas. Trabalhava como jornalista, cobrindo acontecimentos banais, reportando crimes e acidentes. Até aquela noite em Enfield, Londres, em 1977.
Fui chamado por vizinhos perturbados. Uma família afirmava que a sua casa estava sob ataque. Portas batiam sozinhas, móveis se moviam, objetos desapareciam e reapareciam em lugares impossíveis. O mais estranho era ouvir uma voz feminina, infantil, que não pertencia a ninguém presente na casa.
Quando entrei, a sala estava fria, como se o verão tivesse sido sugado para fora. A mãe da família estava desesperada, os filhos assustados. Comecei a gravar, a anotar cada som, cada movimento.
Num momento, um pequeno armário que estava encostado à parede começou a tremer sozinho. Não era vibração; era como se alguém lá dentro estivesse a empurrar. A sensação era palpável: ar a ser deslocado, tensão a subir. Um dos filhos, o mais velho, chorava. “Não é brincadeira, não sou eu!”, gritava.
O som de passos começou no andar de cima. Corri, mas quando cheguei, não havia ninguém. As marcas no chão pareciam se deslocar sozinhas, como se o poltergeist estivesse a guiar-me.
No quarto dos miúdos, a voz reapareceu, clara, quase humana. “Saia!” disse, repetindo o mesmo tom de cada vez que alguém tentava intervir. Mas não havia ninguém lá, apenas o frio, o silêncio e o olhar aterrorizado da família.
A experiência durou horas. Cada tentativa de racionalizar falhava. A eletricidade falhou intermitentemente, as portas batiam, objetos flutuavam. Quando saí da casa, ainda podia ouvir passos que não pertenciam a ninguém, a voz que se dissipava com o vento.
Nunca publiquei tudo o que vi. Não consegui. Alguns acontecimentos pareciam demasiado… vivos para serem apenas histórias.
E mesmo anos depois, quando passo pela rua de Enfield, sinto uma presença que me observa, esperando que eu diga: “Sim, acreditei. Mas só desta vez.”
